Transcript - Josefinos de Murialdo
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65: Ano de 1849. Estamos na periferia de Turim, no bairro Vanchiglia. Numa guerra entre grupos rivais, um dos combatentes,
atingido por uma pedra, caí. De seu rosto brota um fio de sangue.
É neste momento que aparece um jovem seminarista: Leonardo Murialdo. ”Rapazes, o que fizeram? Não vêem que o companheiro
de vocês está ferido? Está sangrando! Acalmem-se!”
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66: Murialdo se ajoelha e reergue o ferido. Com o próprio lenço limpa a fronte do ferido. - “Dói muito, meu rapaz? É um corte
profundo. Levante-se e venha comigo até o Oratório. Vou fazer-lhe um curativo e depois o levo para casa”.
E dirigindo-se convicto aos demais: - “Venham também vocês ao Oratório. Ali, todos, poderão jogar e ficar alegres sem recorrer à
violência”.
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67: No pátio do Colégio se encontram Dom Cocchi, Dom Bosco e o Teólogo Roberto Murialdo.
- “Quem é aquele jovem Padre que conquistou esse grupo de rapazes?” - pergunta Dom Bosco.
- “É meu sobrinho, Leonardo” - responde o Teólogo Roberto.
- “Tão dedicado e amável, tem na verdade uma genial inclinação para atrair a juventude” - conclui Dom Bosco.
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68: “Estamos entendidos.” – diz Dom Bosco a Dom Cocchi. – “Aceito o Oratório com a condição que o Teólogo Roberto seja o
Diretor e empenhe o seu primo Leonardo como auxiliar”.
E voltando-se para Murialdo, D. Bosco concluiu: -” Muito bem, Leonardo, vamos trabalhar juntos em favor da juventude”.
Foi o primeiro encontro entre dois grandes educadores. O Oratório do “Anjo da Guarda” passou para Dom Bosco em 1849.
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69: A obra do jovem Murialdo rapidamente conquistou a admiração e simpatia dos moradores do Borgo Vanchiglia, de sorte que lhe
encarregaram da preparação dos festejos anuais do bairro.
Há anos que o Delegado impedia a realização da festa por desordens e problemas. Desta vez, porém, em assembléia, decidiu-se
que a festa deveria sair a todo custo.
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70: ”Mas quem assegura que tudo vai correr em ordem?” - pergunta Murialdo.
- “Deixa comigo” – responde um Senhor forte, com exaltação. – “ao Cid de Vanchiglia ninguém ousará opor-se. Falarei eu com o
Delegado e me farei ouvir”. Assim falou esse indivíduo notoriamente prepotente, temido de todos.
- “Talvez seja melhor que eu o acompanhe” – argumentou Murialdo.
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71: “Senhor Delegado” – trovejou o famoso Cid, - “eu mesmo lhe asseguro que na festa não haverá nem mortos, nem feridos. Se
alguém ousar atrapalhar a ordem, o Senhor bem sabe que comigo a coisa nunca falhou”.
- “Não, com a violência, mas com a bondade asseguraremos a ordem” – interveio Murialdo.
- “Tenho fé nessa obra que foi confiada a esse jovem clérico e concedo permissão para que a festa se realize” – concluiu o
Delegado.
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72: A festa transcorre sem nenhum incidente e na mais perfeita ordem. O primeiro a admirar-se é precisamente o valente “Cid”, que
acaba comentando com o padre Murialdo: - “Vocês Padres, conseguem mais com a bondade do que eu com ameaças e a força
pública com as armas”.
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73: Apesar da intensa atividade que lhe exigia o cuidado dos meninos abandonados, Murialdo termina seus estudos universitários.
Em 1851, obtêm das mãos do Ministro da Educação, Cristóforo Mameli, uma brilhante Laurea. Os professores assim o definiram: “é
o mais dedicado e inteligente dos estudantes”.
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74: Murialdo, agora diplomado, não se esquece dos menores. Diante de si se apresenta um novo campo de apostolado: o cuidado
dos pequenos jovens “Limpachaminés”.
Um encontro casual o leva a socorrer a quem têm tanta necessidade de proteção e afeto.
-“Como te chamas? De onde vens?” - “Chamo-me Félix e venho do vale d’ Aosta, onde deixei a minha mãe com três irmãos
pequenos”.
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75: De noite, Murialdo passa horas com seus pequenos amigos; lhes ensina a ler e escrever e motiva-os para o bem.
Aconselha aos meninos a escreverem semanalmente a suas mães, com frases afetuosas:
- “Mamãe, eu te saúdo também em nome de um padre muito bom que sempre ajuda a gente”.
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76: Nos sábados à tarde se dedicam à higiene pessoal. Os pequenos “Limpa-chaminés” têm grande necessidade pela ausência dos
cuidados maternos. Murialdo as substitui nessa tarefa:
- ” Como tua mãe ficaria contente se te visse assim tão bem arrumadinho!”
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77: E chega, afinal para Murialdo, a grande data de sua vida: 21 de setembro de 1851. Sua Excelência Monsenhor Faustino
Cerretti, Delegado Pontifício, lhe confere a Ordem Sacerdotal na Igreja da Visitação dos Padres Paulinos.
- “Recebe pela unção de tuas mãos a consagração sacerdotal e a dádiva de celebrar a Missa em benefício de toda a
humanidade...”.
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78: No dia seguinte o neo-sacerdote P. Murialdo, celebra sua primeira Missa na Igreja de S. Dalmácio. Entre parentes (a mãe já
falecida) e amigos não falta uma representação do Oratório de Vanchiglia e dos “Limpachaminés”. Digno e precioso mérito de um
apostolado fecundo!
- “Naquele dia,” – escreverá mais tarde – “vivi a mais linda paz de minha vida: definitivamente consagrado a Deus e a serviço dos
jovens. Era feliz.”
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79: O nascente Colégio dos Artigianelli, fundado por D. Cocchi na cidade de Turim no ano de 1849, teve a sorte de contar, entre os
Confessores dos meninos, com o jovem sacerdote Leonardo Murialdo.
- “Por que grande numero de jovens se confessa com Padre Murialdo?”
- “Porque inspira tanta confiança”. “É muito bom” – comentam os meninos.
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80: Murialdo santifica seus primeiros anos de sacerdócio visitando os encarcerados.
- “Por favor, conduza-me até a cela nº. 13” – diz Murialdo ao carcereiro.
- “Tenha cuidado, Reverendo, aquele preso é muito perigoso”. - lhe responde.
- “Olá, meu bom amigo. Venho te trazer a paz em nome do Senhor”. - saúda Murialdo.
- “Eu não quero saber de padre nenhum aqui. Já disse!” - vocifera o preso.
Mas Pe. Murialdo entra.
Se escutam por alguns instantes gritos desaforados. Logo depois silêncio.
- “Que será que aconteceu?” - pensa o carcereiro.
A bondade do sacerdote triunfou. O encarcerado derrama lágrimas de vivo arrependimento.
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81: Correm os anos. A vida de Murialdo está impregnada de profunda humildade e ardente amor ao próximo.
Certo dia, ao largo da rua Doragrossa, atualmente Garibaldi, se encontra pela segunda vez com Dom Bosco:
- “Amigo Murialdo, vamos tomar um cafezinho? Preciso falar-lhe”.
- “Com muito prazer. Sentemo-nos ali. Assim poderemos falar sossegadamente, sem ninguém nos interromper”.
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82: Dom Bosco vai direto no assunto:
- “Já percebi o seu zelo pelo Oratório de Vanchiglia e proponho-lhe agora que aceite a Direção do novo Oratório São Luiz que abri
em Porta Nova”.
Após um momento de concentração, Murialdo humildemente responde:
- “Se for útil para nossos jovens, estou à disposição desde já”.
Ao que Dom Bosco conclui: - “Terá todo meu apoio e em especial as bênçãos de Deus”.
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83: Para reunir mais garotos, Murialdo renovou a banda de música, o teatro, a escola primária e noturna. Além disso, busca meios
modernos para atrair os jovens, cobrindo os gastos necessários com dinheiro de seu patrimônio pessoal.
Dom Bosco para ajudar-lhe no apostolado, lhe envia os Seminaristas Rua, Durando, Cerrutti, Cagliero e outros, que mais tarde se
tornaram colunas da Congregação Salesiana.
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84: Entretanto, tudo isto não satisfez completamente a Murialdo. Não lhe agrada esperar que os jovens venham espontaneamente
ao Oratório. Ele mesmo vai busca-los pela campanha, ao longo das margens do rio Pó, nos lugares mais abandonados, servindo-se
de uma sineta.
- “Vinde jogar comigo. Há lugar para todos no Oratório. Asseguro-lhes que encontrarão alegres companhias”.
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85: Sua preocupação se estende não só a seus jovens, mas também a suas respectivas famílias. Numa ocasião é chamado
urgentemente junto ao leito de morte de uma viúva enferma:
- “Padre, sinto que meu fim se aproxima. Confio-lhe estas duas criaturinhas. Sei de deixá-las em boas mãos”.
- “Fique tranqüila,- responde Murialdo,- “a Divina Providência cuidará de tudo”.
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86: Para premiar seu trabalho incansável, Dom Bosco convida Pe. Murialdo a participar de uma audiência concedida pelo papa Pio
IX. Com eles viaja também o Seminarista Rua.
O sumo Pontífice dirigindo-se a eles diz: - ”Deus derrama muitas bênçãos sobre quem se preocupa com o bem dos pequenos. Leve
esses duzentos escudos de ouro para os seus meninos e reparta também com os de Murialdo”.
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87: A doação proporcionou um alegre piquenique até a Basílica de Superga. Na santa missa Pio IX é lembrado com respeito. Mais
ainda quando receberam os presentes para o lanche.
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88: O oratório São Luis cresce com as bênçãos de Deus e a simpatia de todos. Mas Murialdo deixa Turim para fazer um curso de
especialização em teologia na cidade de Paris. O próprio Dom Bosco promove uma grande festa de despedida e gratidão
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89: Em Paris, Murialdo ingressa no célebre Seminário de São Sulpício.
Ali, mesmo já sendo sacerdote e doutor em Teologia, humildemente, se submete a todas as regras do Instituto para os estudantes,
não refutando de realizar até as tarefas mais humildes com alegria.
Ali aprende a amar mais a Deus, com profunda humildade.
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90: Depois de um ano de intensa vida eclesiástica, Murialdo se dirige a Londres.
Visita um instituto de cegos e ao congratular-se com o Diretor expressa sua apreciação: - ”Estes jovens trabalham, jogam, são
alegres como se vissem. Que santa missão para vós, Educadores”.
- “Tentamos infundir neles a fé no futuro. Daqui saem ótimos artesãos, músicos capazes de com o próprio trabalho ganhar a vida”. replica o Diretor.
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91: E, em Londres visita o museu das estátuas de cera.
Murialdo fica perplexo diante das perfeitas réplicas de homens célebres, tipicamente vestidos e em suas posturas características.
- “As estátuas daqueles homens de cera, me fizeram refletir muitas coisas!.. Quanto engano” – exclama.
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92: De volta a Paris, celebra Missa na Catedral de Notre Dame.
- “Me comovi – escreverá mais tarde aos seus – ao pensar que nesse mesmo altar onde foram consagrados e coroados tantos reis
eu celebrava a Missa; mas sobretudo, de ver exposto sobre o mesmo trono, o verdadeiro Deus, onde, 60 anos antes, havia sido
colocada, no lugar de Deus, a deusa Razão”.
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93: Depois de uma permanência de mais de um ano no exterior, Murialdo regressa a Turim vibrando pelo Oratório São Luis. Mas o
plano divino lhe havia reservado uma missão mais importante.
O Cônego Berizzi, Reitor do Colégio Artigianelli, o visita com o propósito de confiar-lhe um cargo de responsabilidade.
- “Fui chamado para a minha diocese de Biella. – lhe disse. Depois de muita oração e de me ter aconselhado seriamente, decidi
confiar-lhe a direção do Artigianelli”.
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94: “Mas o Senhor está me pedindo o impossível. Não sou a pessoa indicada, e capaz de realizar tão delicada e importante missão.
Há tantos sacerdotes em Turim, bem mais capacitados do que eu”.
O Cônego Berizzi o interrompe; cai de joelhos e com lágrimas nos olhos, insiste:
- “São pobres, órfãos que encontraram em você um pai bondoso, que os guiará pelo caminho do bem”.
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95: “Não... Não assim! Se é mesmo necessário este sacrifício, tomo sobre meus ombros essa cruz e, ofereço a minha vida aos
jovens mais necessitados”.
- “Obrigado Murialdo, o Senhor o abençoe e o recompense. Comunicarei hoje mesmo o seu consentimento ao Conselho de
Administração. Estou certo de que o Colégio Artigianelli tendo o Senhor, terá segurança no futuro”.
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96: À comunicação oficial de seu nomeação, Murialdo responde: -“Aceito, com a condição de ser provisório; até encontrarem um
outro mais digno do que eu”.
Porém tal pessoa “mais indicada” não encontraram nunca; e Murialdo será Reitor provisório por 34 anos, até o fim de sua vida.
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97: A 8 de dezembro de 1866, festa da Imaculada Conceição, toma posse oficial na direção do Colégio. O Cônego Berizzi o
apresenta aos jovens:
- “Queridos alunos, eis o vosso novo Diretor. Eu devo deixa-los, mas os levarei no meu pensamento. Aqui está o diretor de vocês.
Amem-no. De hoje em diante ele será o pai de vocês”.
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98: Na sua nova responsabilidade deve atravessar por duros e penosos momentos devidos às exigências dos numerosos credores.
Não obstante, recebe a todos com grande bondade e com não menos engenhosidade logra apaziguar seus ânimos alterados: “Tenham paciência! pagarei até o último centavo, mas não deixem faltar o necessário a esses jovens”.
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99: O Colégio Artigianelli, fundado pelo sacerdote Juan Cocchi, com um capital de 24 liras, se sustentou graças à caridade pública.
Criaram-se, ainda, outros institutos para atender às necessidades de tantos pobrezinhos: o prédio da avenida Palestro, as Casas
Famílias, a Colônia Agrícola de Rívoli...
Murialdo a todos proveu do necessário, confiante na Providência.
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100: No fim do dia, após ter batido às portas dos ricos e ouvir muitos desaforos, passa horas em oração diante do altar.
- “Jesus, dá-me forças e coragem. Peço-te não por mim, mas pelos meus jovens. Confio em ti”.
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101: Certa manhã os jovens aguardam para tomar a primeira refeição. Eis que um jovem chega correndo e lhe diz: - “O padeiro não
quer mais fornecer pão até que não se pague todos os atrasados”.
Murialdo acalma os meninos e diz: - ”Esperem um pouco, não nos faltará pão hoje”.
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102: Pouco depois Murialdo pessoalmente distribuía o lanche com um sorriso.
- “Agradeçamos ao Senhor que nunca abandona seus filhos. Se ele cuida das aves do céu, muito mais de vocês..”
E desde aquele dia nunca mais lhes faltou pão.
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103: Acumulam-se afrontas graves até em público. O açougueiro o enfrenta na rua com termos vulgares e grita: -” Paga-me o que
deves, senão te quebro o pescoço...”
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104: “Tenha pena dos meus pobres jovens. Toma este envelope. É tudo o que tenho. Você vai receber tudo, tudo mesmo!”
Não fosse o socorro dos transeuntes o pobre sacerdote teria perecido ali mesmo.
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105: Apesar de tantas dificuldades e desagradáveis surpresas com os credores, Murialdo desce para a cozinha e verifica se os
alunos estão recebendo a comida necessária.
- “Os meus meninos trabalham o dia inteiro e precisam de uma alimentação sadia e abundante”.
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106: Certo dia observa que o cozinheiro coloca sobre o fogo panelas de vários tamanhos e pede explicações: - “Esta é a sopa para
os meninos; e esta outra, dos Superiores” - responde o cozinheiro.
- “Por que esta diferencia? Quero que se pense primeiro em nossos patrões, os jovens, e depois na direção. Nós somos seus
servos. A sopa seja igual para todos”.
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107: Desce também ao pátio para brincar com os meninos. Todos comentam: - “Como é bom o nosso diretor. Brinca com a gente
para nos ver alegres”.
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108: Um dia o clima era de revolta. Murialdo intervém:
- “Vamos organizar um jogo de futebol caprichado. Formemos dois times”.
O sorteio o enfileira entre o time dos mais fracos. Então ouve-se Murialdo entusiasmado. - “Cuidado..., força..., chuta.., rebate...,
mais adiante...,gol...”.
A vitória foi tranqüila.
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109: Turim começa a preparar-se para o futuro. A indústria mecânica precisará de mão-de-obra qualificada. Murialdo equipa as
oficinas de serralheria e mecânica com prensas, tornos, fresas, furadeiras, plainas e outras máquinas mais.
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110: Órfãos e pobres, mas ricos de vontade, são os alunos de Murialdo. As indústrias locais disputam os operários formados nesta
escola profissionalizante.
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111: A comissão organizadora da Exposição Internacional de Turim, inclui Murialdo entre seus membros. Uma medalha de ouro
consagra os méritos da escola juvenil.
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112: Os que têm inclinação para arte podem freqüentar a escola de pintura e escultura no próprio colégio, com o artista Reffo na
direção das tarefas.
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113: Murialdo une o estudo ao trabalho. Aos tipógrafos ensina literatura, línguas estrangeiras e até desenho artístico.
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114: Convencido do grande valor educativo da música, inicia uma poderosa banda para haver festas em tom de alegria e para
divulgar o colégio.
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115: A valorosa “Companhia Teatral” arranca aplausos de seleto público no teatro da escola. O Cardeal Alimonda e autoridades
congratulam-se: - “Muito bem, Pe. Murialdo, o espetáculo hoje foi uma obra prima”.
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116: Interessa-se para que os seus alunos cresçam espertos e sadios. Uma ótima equipe de ginástica participa de competições com
as melhores dos país e estrangeiras.
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117: Murialdo, superando a timidez, vai bater à porta dos mais abastados. Recebe mais conselhos do que ajuda e até ironias:
- “E que temos nós a vez com os seus meninos! Pague o Senhor mesmo as suas contas! A saída é por esta porta!...”.
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118: Um dia dirige-se ao Santuário de N. Srª da Consolação, acompanhado de dois alunos uniformizados. Uma senhora da
sociedade surpreende o sacerdote:
- “Padre Murialdo, vamos até em casa, tenho um assunto para falar”.
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119: “ Mas por que se expõe assim ao frio e à humilhação?”
- “Senhora condessa, tenho que procurar o pão para minhas crianças”.
- “Tenha mais cuidado com a sua saúde. Tome aqui alguma coisa. Reze por mim”.
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120: Às vezes o ridicularizam mandando-o largar tudo.
- “Deixe prá lá esses moleques”.
- “Sim, seria muito mais cômodo vender tudo, retirar-me para uma vida tranqüila. Mas e esses jovens vou mandá-los para onde?”
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121: Muitas vezes o cofre estava vazio.
- “Eis aqui todo o tesouro do nosso colégio. Como fazer para matar a fome dessas trezentas crianças? Mas acredito na
Providência”.
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122: Os problemas do colégio aumentavam cada vez mais. A direção resolveu suspender as matrículas até nova ordem.
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123: Justamente naquela hora Murialdo desce à sala de espera:
- “Padre, estou indo para o hospital, está tudo terminado. Tenha compaixão dessas duas crianças”.
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124: “Vá tranqüila minha boa senhora, os seus filhos ficarão comigo no colégio”.
- “Obrigada, padre, agora posso morrer em paz”.
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125: Preocupa-se também com a continuidade da obra dos meninos.
- “Só a generosidade de pessoas preparadas pode garantir a vida do Instituto e o futuro de tantos jovens. Que acham vocês?”
- “Aqui estamos prontos ao seu apelo para colaborar com os jovens”.
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126: Pensa logo em estruturar e reforçar o grupo dos voluntários pioneiros:
- “São José espera de vocês um grupo de apóstolos consagrados à formação da juventude. Quem aceita o desafio, siga-me sob a
bandeira de São José Operário”.
- “Aqui estamos, prontos para tudo”.
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127: O arcebispo de Turim, D. Lourenço Gastaldi, recebe Murialdo:
- “Gostei do regulamento da nova congregação. Deus a abençoe e a faça frutificar”.
O dia da festa de S. José foi o início da Congregação, com a profissão dos votos religiosos do primeiro grupo.
A benção de Deus desceu sobre Murialdo e seus futuros colaboradores.
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128: Era o dia 19 de março de 1873. A capela da escola profissional de Turim viu o Pe. Constantino, Reffo, Mussetti e os
seminaristas Pagliero e Milanese, ao lado de Murialdo, consagrar-se para sempre ao trabalho dos jovens pobres.
Assim nasceu a nova Congregação dos Josefinos de Murialdo.
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“ESTAMOS NAS MÃOS DE DEUS,
ESTAMOS EM BOAS MÃOS.”
65: Ano de 1849. Estamos na periferia de Turim, no bairro Vanchiglia. Numa guerra entre grupos rivais, um dos combatentes,
atingido por uma pedra, caí. De seu rosto brota um fio de sangue.
É neste momento que aparece um jovem seminarista: Leonardo Murialdo. ”Rapazes, o que fizeram? Não vêem que o companheiro
de vocês está ferido? Está sangrando! Acalmem-se!”
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66: Murialdo se ajoelha e reergue o ferido. Com o próprio lenço limpa a fronte do ferido. - “Dói muito, meu rapaz? É um corte
profundo. Levante-se e venha comigo até o Oratório. Vou fazer-lhe um curativo e depois o levo para casa”.
E dirigindo-se convicto aos demais: - “Venham também vocês ao Oratório. Ali, todos, poderão jogar e ficar alegres sem recorrer à
violência”.
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67: No pátio do Colégio se encontram Dom Cocchi, Dom Bosco e o Teólogo Roberto Murialdo.
- “Quem é aquele jovem Padre que conquistou esse grupo de rapazes?” - pergunta Dom Bosco.
- “É meu sobrinho, Leonardo” - responde o Teólogo Roberto.
- “Tão dedicado e amável, tem na verdade uma genial inclinação para atrair a juventude” - conclui Dom Bosco.
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68: “Estamos entendidos.” – diz Dom Bosco a Dom Cocchi. – “Aceito o Oratório com a condição que o Teólogo Roberto seja o
Diretor e empenhe o seu primo Leonardo como auxiliar”.
E voltando-se para Murialdo, D. Bosco concluiu: -” Muito bem, Leonardo, vamos trabalhar juntos em favor da juventude”.
Foi o primeiro encontro entre dois grandes educadores. O Oratório do “Anjo da Guarda” passou para Dom Bosco em 1849.
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69: A obra do jovem Murialdo rapidamente conquistou a admiração e simpatia dos moradores do Borgo Vanchiglia, de sorte que lhe
encarregaram da preparação dos festejos anuais do bairro.
Há anos que o Delegado impedia a realização da festa por desordens e problemas. Desta vez, porém, em assembléia, decidiu-se
que a festa deveria sair a todo custo.
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70: ”Mas quem assegura que tudo vai correr em ordem?” - pergunta Murialdo.
- “Deixa comigo” – responde um Senhor forte, com exaltação. – “ao Cid de Vanchiglia ninguém ousará opor-se. Falarei eu com o
Delegado e me farei ouvir”. Assim falou esse indivíduo notoriamente prepotente, temido de todos.
- “Talvez seja melhor que eu o acompanhe” – argumentou Murialdo.
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71: “Senhor Delegado” – trovejou o famoso Cid, - “eu mesmo lhe asseguro que na festa não haverá nem mortos, nem feridos. Se
alguém ousar atrapalhar a ordem, o Senhor bem sabe que comigo a coisa nunca falhou”.
- “Não, com a violência, mas com a bondade asseguraremos a ordem” – interveio Murialdo.
- “Tenho fé nessa obra que foi confiada a esse jovem clérico e concedo permissão para que a festa se realize” – concluiu o
Delegado.
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72: A festa transcorre sem nenhum incidente e na mais perfeita ordem. O primeiro a admirar-se é precisamente o valente “Cid”, que
acaba comentando com o padre Murialdo: - “Vocês Padres, conseguem mais com a bondade do que eu com ameaças e a força
pública com as armas”.
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73: Apesar da intensa atividade que lhe exigia o cuidado dos meninos abandonados, Murialdo termina seus estudos universitários.
Em 1851, obtêm das mãos do Ministro da Educação, Cristóforo Mameli, uma brilhante Laurea. Os professores assim o definiram: “é
o mais dedicado e inteligente dos estudantes”.
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74: Murialdo, agora diplomado, não se esquece dos menores. Diante de si se apresenta um novo campo de apostolado: o cuidado
dos pequenos jovens “Limpachaminés”.
Um encontro casual o leva a socorrer a quem têm tanta necessidade de proteção e afeto.
-“Como te chamas? De onde vens?” - “Chamo-me Félix e venho do vale d’ Aosta, onde deixei a minha mãe com três irmãos
pequenos”.
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75: De noite, Murialdo passa horas com seus pequenos amigos; lhes ensina a ler e escrever e motiva-os para o bem.
Aconselha aos meninos a escreverem semanalmente a suas mães, com frases afetuosas:
- “Mamãe, eu te saúdo também em nome de um padre muito bom que sempre ajuda a gente”.
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76: Nos sábados à tarde se dedicam à higiene pessoal. Os pequenos “Limpa-chaminés” têm grande necessidade pela ausência dos
cuidados maternos. Murialdo as substitui nessa tarefa:
- ” Como tua mãe ficaria contente se te visse assim tão bem arrumadinho!”
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77: E chega, afinal para Murialdo, a grande data de sua vida: 21 de setembro de 1851. Sua Excelência Monsenhor Faustino
Cerretti, Delegado Pontifício, lhe confere a Ordem Sacerdotal na Igreja da Visitação dos Padres Paulinos.
- “Recebe pela unção de tuas mãos a consagração sacerdotal e a dádiva de celebrar a Missa em benefício de toda a
humanidade...”.
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78: No dia seguinte o neo-sacerdote P. Murialdo, celebra sua primeira Missa na Igreja de S. Dalmácio. Entre parentes (a mãe já
falecida) e amigos não falta uma representação do Oratório de Vanchiglia e dos “Limpachaminés”. Digno e precioso mérito de um
apostolado fecundo!
- “Naquele dia,” – escreverá mais tarde – “vivi a mais linda paz de minha vida: definitivamente consagrado a Deus e a serviço dos
jovens. Era feliz.”
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79: O nascente Colégio dos Artigianelli, fundado por D. Cocchi na cidade de Turim no ano de 1849, teve a sorte de contar, entre os
Confessores dos meninos, com o jovem sacerdote Leonardo Murialdo.
- “Por que grande numero de jovens se confessa com Padre Murialdo?”
- “Porque inspira tanta confiança”. “É muito bom” – comentam os meninos.
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80: Murialdo santifica seus primeiros anos de sacerdócio visitando os encarcerados.
- “Por favor, conduza-me até a cela nº. 13” – diz Murialdo ao carcereiro.
- “Tenha cuidado, Reverendo, aquele preso é muito perigoso”. - lhe responde.
- “Olá, meu bom amigo. Venho te trazer a paz em nome do Senhor”. - saúda Murialdo.
- “Eu não quero saber de padre nenhum aqui. Já disse!” - vocifera o preso.
Mas Pe. Murialdo entra.
Se escutam por alguns instantes gritos desaforados. Logo depois silêncio.
- “Que será que aconteceu?” - pensa o carcereiro.
A bondade do sacerdote triunfou. O encarcerado derrama lágrimas de vivo arrependimento.
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81: Correm os anos. A vida de Murialdo está impregnada de profunda humildade e ardente amor ao próximo.
Certo dia, ao largo da rua Doragrossa, atualmente Garibaldi, se encontra pela segunda vez com Dom Bosco:
- “Amigo Murialdo, vamos tomar um cafezinho? Preciso falar-lhe”.
- “Com muito prazer. Sentemo-nos ali. Assim poderemos falar sossegadamente, sem ninguém nos interromper”.
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82: Dom Bosco vai direto no assunto:
- “Já percebi o seu zelo pelo Oratório de Vanchiglia e proponho-lhe agora que aceite a Direção do novo Oratório São Luiz que abri
em Porta Nova”.
Após um momento de concentração, Murialdo humildemente responde:
- “Se for útil para nossos jovens, estou à disposição desde já”.
Ao que Dom Bosco conclui: - “Terá todo meu apoio e em especial as bênçãos de Deus”.
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83: Para reunir mais garotos, Murialdo renovou a banda de música, o teatro, a escola primária e noturna. Além disso, busca meios
modernos para atrair os jovens, cobrindo os gastos necessários com dinheiro de seu patrimônio pessoal.
Dom Bosco para ajudar-lhe no apostolado, lhe envia os Seminaristas Rua, Durando, Cerrutti, Cagliero e outros, que mais tarde se
tornaram colunas da Congregação Salesiana.
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84: Entretanto, tudo isto não satisfez completamente a Murialdo. Não lhe agrada esperar que os jovens venham espontaneamente
ao Oratório. Ele mesmo vai busca-los pela campanha, ao longo das margens do rio Pó, nos lugares mais abandonados, servindo-se
de uma sineta.
- “Vinde jogar comigo. Há lugar para todos no Oratório. Asseguro-lhes que encontrarão alegres companhias”.
Slide 21
85: Sua preocupação se estende não só a seus jovens, mas também a suas respectivas famílias. Numa ocasião é chamado
urgentemente junto ao leito de morte de uma viúva enferma:
- “Padre, sinto que meu fim se aproxima. Confio-lhe estas duas criaturinhas. Sei de deixá-las em boas mãos”.
- “Fique tranqüila,- responde Murialdo,- “a Divina Providência cuidará de tudo”.
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86: Para premiar seu trabalho incansável, Dom Bosco convida Pe. Murialdo a participar de uma audiência concedida pelo papa Pio
IX. Com eles viaja também o Seminarista Rua.
O sumo Pontífice dirigindo-se a eles diz: - ”Deus derrama muitas bênçãos sobre quem se preocupa com o bem dos pequenos. Leve
esses duzentos escudos de ouro para os seus meninos e reparta também com os de Murialdo”.
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87: A doação proporcionou um alegre piquenique até a Basílica de Superga. Na santa missa Pio IX é lembrado com respeito. Mais
ainda quando receberam os presentes para o lanche.
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88: O oratório São Luis cresce com as bênçãos de Deus e a simpatia de todos. Mas Murialdo deixa Turim para fazer um curso de
especialização em teologia na cidade de Paris. O próprio Dom Bosco promove uma grande festa de despedida e gratidão
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89: Em Paris, Murialdo ingressa no célebre Seminário de São Sulpício.
Ali, mesmo já sendo sacerdote e doutor em Teologia, humildemente, se submete a todas as regras do Instituto para os estudantes,
não refutando de realizar até as tarefas mais humildes com alegria.
Ali aprende a amar mais a Deus, com profunda humildade.
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90: Depois de um ano de intensa vida eclesiástica, Murialdo se dirige a Londres.
Visita um instituto de cegos e ao congratular-se com o Diretor expressa sua apreciação: - ”Estes jovens trabalham, jogam, são
alegres como se vissem. Que santa missão para vós, Educadores”.
- “Tentamos infundir neles a fé no futuro. Daqui saem ótimos artesãos, músicos capazes de com o próprio trabalho ganhar a vida”. replica o Diretor.
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91: E, em Londres visita o museu das estátuas de cera.
Murialdo fica perplexo diante das perfeitas réplicas de homens célebres, tipicamente vestidos e em suas posturas características.
- “As estátuas daqueles homens de cera, me fizeram refletir muitas coisas!.. Quanto engano” – exclama.
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92: De volta a Paris, celebra Missa na Catedral de Notre Dame.
- “Me comovi – escreverá mais tarde aos seus – ao pensar que nesse mesmo altar onde foram consagrados e coroados tantos reis
eu celebrava a Missa; mas sobretudo, de ver exposto sobre o mesmo trono, o verdadeiro Deus, onde, 60 anos antes, havia sido
colocada, no lugar de Deus, a deusa Razão”.
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93: Depois de uma permanência de mais de um ano no exterior, Murialdo regressa a Turim vibrando pelo Oratório São Luis. Mas o
plano divino lhe havia reservado uma missão mais importante.
O Cônego Berizzi, Reitor do Colégio Artigianelli, o visita com o propósito de confiar-lhe um cargo de responsabilidade.
- “Fui chamado para a minha diocese de Biella. – lhe disse. Depois de muita oração e de me ter aconselhado seriamente, decidi
confiar-lhe a direção do Artigianelli”.
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94: “Mas o Senhor está me pedindo o impossível. Não sou a pessoa indicada, e capaz de realizar tão delicada e importante missão.
Há tantos sacerdotes em Turim, bem mais capacitados do que eu”.
O Cônego Berizzi o interrompe; cai de joelhos e com lágrimas nos olhos, insiste:
- “São pobres, órfãos que encontraram em você um pai bondoso, que os guiará pelo caminho do bem”.
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95: “Não... Não assim! Se é mesmo necessário este sacrifício, tomo sobre meus ombros essa cruz e, ofereço a minha vida aos
jovens mais necessitados”.
- “Obrigado Murialdo, o Senhor o abençoe e o recompense. Comunicarei hoje mesmo o seu consentimento ao Conselho de
Administração. Estou certo de que o Colégio Artigianelli tendo o Senhor, terá segurança no futuro”.
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96: À comunicação oficial de seu nomeação, Murialdo responde: -“Aceito, com a condição de ser provisório; até encontrarem um
outro mais digno do que eu”.
Porém tal pessoa “mais indicada” não encontraram nunca; e Murialdo será Reitor provisório por 34 anos, até o fim de sua vida.
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97: A 8 de dezembro de 1866, festa da Imaculada Conceição, toma posse oficial na direção do Colégio. O Cônego Berizzi o
apresenta aos jovens:
- “Queridos alunos, eis o vosso novo Diretor. Eu devo deixa-los, mas os levarei no meu pensamento. Aqui está o diretor de vocês.
Amem-no. De hoje em diante ele será o pai de vocês”.
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98: Na sua nova responsabilidade deve atravessar por duros e penosos momentos devidos às exigências dos numerosos credores.
Não obstante, recebe a todos com grande bondade e com não menos engenhosidade logra apaziguar seus ânimos alterados: “Tenham paciência! pagarei até o último centavo, mas não deixem faltar o necessário a esses jovens”.
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99: O Colégio Artigianelli, fundado pelo sacerdote Juan Cocchi, com um capital de 24 liras, se sustentou graças à caridade pública.
Criaram-se, ainda, outros institutos para atender às necessidades de tantos pobrezinhos: o prédio da avenida Palestro, as Casas
Famílias, a Colônia Agrícola de Rívoli...
Murialdo a todos proveu do necessário, confiante na Providência.
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100: No fim do dia, após ter batido às portas dos ricos e ouvir muitos desaforos, passa horas em oração diante do altar.
- “Jesus, dá-me forças e coragem. Peço-te não por mim, mas pelos meus jovens. Confio em ti”.
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101: Certa manhã os jovens aguardam para tomar a primeira refeição. Eis que um jovem chega correndo e lhe diz: - “O padeiro não
quer mais fornecer pão até que não se pague todos os atrasados”.
Murialdo acalma os meninos e diz: - ”Esperem um pouco, não nos faltará pão hoje”.
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102: Pouco depois Murialdo pessoalmente distribuía o lanche com um sorriso.
- “Agradeçamos ao Senhor que nunca abandona seus filhos. Se ele cuida das aves do céu, muito mais de vocês..”
E desde aquele dia nunca mais lhes faltou pão.
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103: Acumulam-se afrontas graves até em público. O açougueiro o enfrenta na rua com termos vulgares e grita: -” Paga-me o que
deves, senão te quebro o pescoço...”
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104: “Tenha pena dos meus pobres jovens. Toma este envelope. É tudo o que tenho. Você vai receber tudo, tudo mesmo!”
Não fosse o socorro dos transeuntes o pobre sacerdote teria perecido ali mesmo.
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105: Apesar de tantas dificuldades e desagradáveis surpresas com os credores, Murialdo desce para a cozinha e verifica se os
alunos estão recebendo a comida necessária.
- “Os meus meninos trabalham o dia inteiro e precisam de uma alimentação sadia e abundante”.
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106: Certo dia observa que o cozinheiro coloca sobre o fogo panelas de vários tamanhos e pede explicações: - “Esta é a sopa para
os meninos; e esta outra, dos Superiores” - responde o cozinheiro.
- “Por que esta diferencia? Quero que se pense primeiro em nossos patrões, os jovens, e depois na direção. Nós somos seus
servos. A sopa seja igual para todos”.
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107: Desce também ao pátio para brincar com os meninos. Todos comentam: - “Como é bom o nosso diretor. Brinca com a gente
para nos ver alegres”.
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108: Um dia o clima era de revolta. Murialdo intervém:
- “Vamos organizar um jogo de futebol caprichado. Formemos dois times”.
O sorteio o enfileira entre o time dos mais fracos. Então ouve-se Murialdo entusiasmado. - “Cuidado..., força..., chuta.., rebate...,
mais adiante...,gol...”.
A vitória foi tranqüila.
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109: Turim começa a preparar-se para o futuro. A indústria mecânica precisará de mão-de-obra qualificada. Murialdo equipa as
oficinas de serralheria e mecânica com prensas, tornos, fresas, furadeiras, plainas e outras máquinas mais.
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110: Órfãos e pobres, mas ricos de vontade, são os alunos de Murialdo. As indústrias locais disputam os operários formados nesta
escola profissionalizante.
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111: A comissão organizadora da Exposição Internacional de Turim, inclui Murialdo entre seus membros. Uma medalha de ouro
consagra os méritos da escola juvenil.
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112: Os que têm inclinação para arte podem freqüentar a escola de pintura e escultura no próprio colégio, com o artista Reffo na
direção das tarefas.
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113: Murialdo une o estudo ao trabalho. Aos tipógrafos ensina literatura, línguas estrangeiras e até desenho artístico.
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114: Convencido do grande valor educativo da música, inicia uma poderosa banda para haver festas em tom de alegria e para
divulgar o colégio.
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115: A valorosa “Companhia Teatral” arranca aplausos de seleto público no teatro da escola. O Cardeal Alimonda e autoridades
congratulam-se: - “Muito bem, Pe. Murialdo, o espetáculo hoje foi uma obra prima”.
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116: Interessa-se para que os seus alunos cresçam espertos e sadios. Uma ótima equipe de ginástica participa de competições com
as melhores dos país e estrangeiras.
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117: Murialdo, superando a timidez, vai bater à porta dos mais abastados. Recebe mais conselhos do que ajuda e até ironias:
- “E que temos nós a vez com os seus meninos! Pague o Senhor mesmo as suas contas! A saída é por esta porta!...”.
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118: Um dia dirige-se ao Santuário de N. Srª da Consolação, acompanhado de dois alunos uniformizados. Uma senhora da
sociedade surpreende o sacerdote:
- “Padre Murialdo, vamos até em casa, tenho um assunto para falar”.
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119: “ Mas por que se expõe assim ao frio e à humilhação?”
- “Senhora condessa, tenho que procurar o pão para minhas crianças”.
- “Tenha mais cuidado com a sua saúde. Tome aqui alguma coisa. Reze por mim”.
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120: Às vezes o ridicularizam mandando-o largar tudo.
- “Deixe prá lá esses moleques”.
- “Sim, seria muito mais cômodo vender tudo, retirar-me para uma vida tranqüila. Mas e esses jovens vou mandá-los para onde?”
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121: Muitas vezes o cofre estava vazio.
- “Eis aqui todo o tesouro do nosso colégio. Como fazer para matar a fome dessas trezentas crianças? Mas acredito na
Providência”.
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122: Os problemas do colégio aumentavam cada vez mais. A direção resolveu suspender as matrículas até nova ordem.
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123: Justamente naquela hora Murialdo desce à sala de espera:
- “Padre, estou indo para o hospital, está tudo terminado. Tenha compaixão dessas duas crianças”.
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124: “Vá tranqüila minha boa senhora, os seus filhos ficarão comigo no colégio”.
- “Obrigada, padre, agora posso morrer em paz”.
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125: Preocupa-se também com a continuidade da obra dos meninos.
- “Só a generosidade de pessoas preparadas pode garantir a vida do Instituto e o futuro de tantos jovens. Que acham vocês?”
- “Aqui estamos prontos ao seu apelo para colaborar com os jovens”.
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126: Pensa logo em estruturar e reforçar o grupo dos voluntários pioneiros:
- “São José espera de vocês um grupo de apóstolos consagrados à formação da juventude. Quem aceita o desafio, siga-me sob a
bandeira de São José Operário”.
- “Aqui estamos, prontos para tudo”.
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127: O arcebispo de Turim, D. Lourenço Gastaldi, recebe Murialdo:
- “Gostei do regulamento da nova congregação. Deus a abençoe e a faça frutificar”.
O dia da festa de S. José foi o início da Congregação, com a profissão dos votos religiosos do primeiro grupo.
A benção de Deus desceu sobre Murialdo e seus futuros colaboradores.
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128: Era o dia 19 de março de 1873. A capela da escola profissional de Turim viu o Pe. Constantino, Reffo, Mussetti e os
seminaristas Pagliero e Milanese, ao lado de Murialdo, consagrar-se para sempre ao trabalho dos jovens pobres.
Assim nasceu a nova Congregação dos Josefinos de Murialdo.
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“ESTAMOS NAS MÃOS DE DEUS,
ESTAMOS EM BOAS MÃOS.”